Mais Médicos chega para ficar. | Odorico Monteiro
8 de setembro de 2016

Mais Médicos chega para ficar.

A aprovação da MP 273/16, prorrogando por mais três anos o Programa Mais Médicos, é um passo importante para seguirmos o planejamento de um projeto pensado a curto, médio e longo prazo. O Programa significa a resposta concreta a uma demanda histórica dos secretários municipais de saúde, situação que tenho conhecimento de causa, pois ocupei este cargo por vinte anos em Icapuí, Quixadá, Sobral e Fortaleza, respectivamente.

Também tive a satisfação de participar, como secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, da concepção e coordenação do Mais Médicos, levando atendimento a 63 milhões de brasileiros. Somando a participação dos residentes em Medicina da Família e Comunidade esse número chega a 65 milhões. No Ceará, são mais de mil médicos atuando em 167 municípios.

São pessoas que moram nas periferias das grandes cidades, sertão nordestino, áreas ribeirinhas. Agora ao acordar de madrugada e procurar uma unidade de saúde, encontram um médico lá para tratar a diabetes, prevenir a hipertensão, fazer o pré-natal. Isso é a universalização do SUS, que está na Constituição, aplicada na prática.

O impacto do Mais Médicos é apontado por pesquisas onde se pode observar a redução de encaminhamento de pacientes a hospitais, comprovando que mais de 80% dos casos são resolvidos na Atenção Básica, a porta de entrada e a pedra angular do SUS.

A Câmara dos Deputados tem papel decisivo para a continuação do Programa, desde a aprovação da Lei 12.871/13, ao acompanhamento e articulação para uma etapa fundamental, que é a expansão das Faculdades de Medicina pelo interior do país.

No Ceará, os municípios de Quixadá, Russas, Crateús, Iguatu, Itapipoca, Crato e Quixeramobim se preparam para receber cursos de Medicina, fomentando o desenvolvimento local e avançando na meta do Mais Médicos de em 2026 atingir o padrão da Inglaterra, de 2,8 médicos por mil habitantes.

Desde o movimento estudantil, venho lutando para ver o SUS como um grande espaço de ensino e serviço, e a formação médica voltada à prevenção e promoção da saúde. Esse sonho está se concretizando com o Mais Médicos. Estamos avançando passo a passo rumo a essa meta ousada.

Entretanto, é preciso seguir a luta por uma fonte estável de recursos para o SUS, estabelecendo um Plano Decenal da Saúde e garantindo a continuidade de políticas e programas que lidam com nosso bem maior que é a vida.

 

Odorico Monteiro é médico, pesquisador da Fiocruz e deputado federal pelo PROS Ceará.

 

 

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