Audiência debate potencial da “Internet das Coisas” para o Brasil | Odorico Monteiro
26 de novembro de 2015

Audiência debate potencial da “Internet das Coisas” para o Brasil

Luis Macedo-Camara dos Deputados 

Parlamentares e especialistas debateram o potencial e os desafios da “Internet das Coisas” para o Brasil, nesta quinta-feira (26/11), em audiência pública conjunta da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) com a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (CDEIC) da Câmara dos Deputados. A audiência, presidida pelo deputado federal Odorico Monteiro (PT-CE), contou com a presença do Ministro de Ciência Tecnologia e Inovação, Celso Pansera.

“Tivemos um debate muito rico sobre as principais potencialidades e gargalos que o Brasil terá de enfrentar para conquistar uma posição de destaque no campo da ‘Internet das Coisas’, das tecnologias de comunicação e informação”, resumiu o deputado Odorico Monteiro.

“Com a massificação da tecnologia interconectando objetos e o mundo físico através de dispositivos em rede, poderemos gerar grandes volumes de dados, informações e inteligência, transformando significativamente o bem-estar, a produtividade e a competitividade”, completou o parlamentar.

Segundo dados apresentados por Thales Netto, gerente de projetos do Departamento de Indústria, Ciência e Tecnologia do Ministério das Comunicações, o potencial econômico da “Internet das Coisas” para o Brasil é de cerca de US$ 165 bilhões para os próximos anos.

“Empresas brasileiras aumentaram o faturamento de 11% a 20% após a implantação de soluções ligadas à ‘Internet das Coisas’”, disse. Segundo Netto, além das soluções de conforto, a exemplo, de estacionamento inteligente, carro autônomo e automação residencial, é possível utilizar essas tecnologias para evitar desperdício de alimentos e água e na redução de filas e acompanhamento de pacientes no SUS.

Thales disse, ainda, que o governo federal criou em 2014 a Câmara de Gestão M2M, para acompanhar, subsidiar e promover a comunicação entre máquinas no Brasil.

Sérgio Gallindo, presidente-executivo da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação, também ressaltou a relevância do setor para o País, responsável por 9% do PIB no setor de tecnologias de Informação e Comunicação e pela geração de cerca de 1,5 milhões de empregos.

Ao citar os setores de logística, agricultura, indústria, varejo e saúde como os mais promissores para o desenvolvimento dessas tecnologias no Brasil, Gallindo disse que esse é o momento para o País encarar a inovação tecnológica com senso de urgência. “Ou a gente entra na onda agora ou vamos ficar no atraso”, alertou.

Entre os desafios para o florescimento da internet das coisas no Brasil está o acesso à internet, principalmente em áreas rurais, e a capacidade de interoperabilidade entre os dispositivos conectados.

“A interoperabilidade é fundamental pois todo o potencial dessa tecnologia vai depender se os objetos e dispositivos terão ou não a capacidade de conversar entre si”, explicou, Marcel Leonardi, diretor de políticas públicas do Google Brasil.

O ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, falou sobre os desafios ainda existentes para dotar o País de uma rede de fibra ótica forte com capilaridade em todo o território nacional, apesar dos esforços do governo federal para universalizar a banda larga no País. Pansera falou dos cortes na pasta e disse que tem defendido junto à presidenta Dilma mais recursos para a inovação, a exemplo, da destinação de 25% dos recursos do Pré-Sal para o setor.

Os especialistas também manifestaram preocupação com a segurança e a privacidade dos dados e informações gerados pelos usuários, que tendem a se multiplicar com a adoção da “Internet das Coisas”. Segundo eles, é preciso haver um equilíbrio entre inovação e proteção do cidadão, sem que isso signifique a adoção de legislações excessivamente restritivas.

“A internet das coisas traz um conjunto de possibilidades, mas também traz complexidades e riscos”, disse Gallindo, ao defender a necessidade de se enfrentar o debate da privacidade e da proteção de dados.

O deputado Odorico defendeu a importância de regulações, a exemplo, do Marco Civil da Internet que garante o direito à inviolabilidade da vida privada e da intimidade. Segundo ele, é fundamental a existência de travas legais para não permitir que governos e corporações explorem os dados dos cidadãos.

O ministro concordou com a necessidade de regularizar o setor sem que isso implique em um modelo de legislação que impeça o avanço da inovação e de novos modelos de negócios no País. “Temos que ter leis mais enxutas e objetivas, que amarrem menos o desenvolvimento”, afirmou, ao defender um ambiente de segurança jurídica para o setor.

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